Ganesha simboliza a sabedoria, inteligência, amor, fertilidade e prosperidade. É o primeiro a ser invocado nas cerimônias para garantir o sucesso em qualquer empreendimento. Ele destrói todos os obstáculos materiais e espirituais. Os indianos dedicam à Ganesha o dia 9 de setembro para homenageá-lo (é feriado na Índia e as festividades duram uma semana)... veja "A História de Ganesha" postado no Blog em julho/2009

“O Yoga acredita em transformar o individual antes do universal.
Qualquer mudança que nós quisermos que aconteça fora de nós, deve primeiramente acontecer dentro de nós.
Se você caminha em paz e expressa esta paz em sua vida cotidiana, outros verão você e certamente aprenderão algo.”




terça-feira, 1 de junho de 2010

ALÇAS DA MENTE


Por Rosana Hermann

O pensamento pode voar, mas a mente gosta mesmo é de uma prisão.
A mente gosta de prender-se voluntariamente a tudo o que não muda,
ao que permanece, ao que se repete e ao que é sempre igual.
Por isso, a mente adora lembranças e memórias.
Porque o passado já passou e não pode ser mais mudado.
O passado é permanente. A mente acha isso o máximo.
É como administrar uma empresa onde nada pode dar errado.

O medo da mente é justamente este, administrar imprevistos.
Outra coisa que a mente ama de paixão é o padrão, porque como o nome
já diz, o padrão não muda.
Um metro, uma hora, o mesmo caminho para o trabalho, voltar ao mesmo restaurante e sentar à mesma mesa, são padrões que toda mente humana gosta de repetir.

Ah, que prazer que a mente sente quando a bunda senta na mesma cadeira
que sentou na aula anterior!
A repetição dá segurança, porque cria a falsa ilusão de que nada vai mudar.
E se nada mudar, nada de ruim poderá acontecer.
Tudo será igual, com o mesmo final feliz, como antes.
Crianças adoram ver filmes mil vezes porque se sentem seguras, porque
podem antecipar as próximas cenas (se na vida fosse assim...) e porque
têm certeza de como a história terminará.

Já as mentes adultas, especialmente as obsessivas em qualquer grau,
adoram a matemática.
A matemática é a única ciência exata e imutável.
Enquanto a física e química, a biologia, por exemplo, estão sujeitas a variáveis
da vida real, a matemática continua igual.
Daí o fato de que toda mente obsessiva gosta de contar, manipular números.
As contas são sempre exatas, não mudam.

E se você contar todos os passos e chegar direitinho à padaria com seus
mil passos, então, podemos concluir que sua mãe não vai morrer e nada
vai dar errado no seu dia.
Certo? Errado.
Errado porque a mente vive num mundo irreal.

Mundo da mente é como caspa, só existe na sua cabeça.
Tudo é mera ilusão. E, com perdão do excesso de realidade fisiológica,
o mundo está cagando e andando pras suas ilusões mentais.
Como o mundo já provou, uma batida de asas de borboleta na África pode influenciar mais a ocorrência de um tsunami na Ásia do que sua contagem
de azulejos no banheiro.
Porque a borboleta é real e seu pensamento, não.

O problema é que a mente não quer nem saber disso e provavelmente
muitos já terão abandonado este texto nas primeiras linhas.

Espertos, porque sabem que vou contar um segredo sobre eles:
a mente fabrica alças.
Sim, alças, onde ela, a mente, possa se apegar.
Uma alça, como aquele putaqueopariu do carro, onde a gente segura
a vida quando o motorista não é de confiança.
Como o santoantonio dos jipes.
A alça pode ser um nome, um amuleto, uma mania, uma repetição qualquer.
A mente é chata, mas criativa, e assim, inventou a alça-sem-mala.
Nesta alça ela se apega até a morte.

É uma crença, um dogma, uma frase feita, um chavão, um lugar-comum:
"Angélica (do Hulk) ficou mais bonita depois que teve filho"; "Vaso ruim não
quebra"...

Qualquer alça é boa pra mente: "A cadeia é a universidade do crime", "Direituzumanu só tem bandidu"...

Se a mente se acha fraca, ela inventa uma alça para se sentir forte, tipo:
"Sou feia, mas tô na moda".

A mente inventa que se a pessoa perder dez quilos vai ser feliz e tudo vai
dar certo na vida. Troca nomenclaturas, pra se sentir por cima.
Porque uma coisa é dizer que você tem TOC e outra coisa é assumir que
você é um obsessivo chato, que ninguém agüenta conviver a seu lado e
por isso você precisa de tratamento sério com remédio e tudo mais.

A mente inventa alças pra não cair em si.
Mas cair em si é a única forma de tomar consciência - primeiro passo
para melhorar.
Portanto, remova todas as alças. Caia. Caia em si.
Tá gordo? Tá gordo, então, vamos emagrecer.
Tá infeliz? Sai dessa, viva a vida, aproveite.
Tá duro? 'Bora ganhar dinheiro'.

Só não fique aí, com essa cara de passageiro do circular da eternidade,
vendo a vida passar na fresta da janelinha de um ônibus cheio,
segurando firme na alça do medo, pois você tem que dar o sinal e descer
para a liberdade do imprevisível.

Um comentário:

Andreza Plais disse...

Namaskar!

vamos soltar as nossas "alças" e viver o presente com mais consciência e inteireza...
Shanti om!

AOS MESTRES

AOS MESTRES